Pesquisadores do Cicarne Embrapa apresentam cenário de exportação de carne bovina para China
06.07.2020

As exportações de carne bovina para a China e Hong Kong cresceram nos últimos anos. Isso é positivo. Por outro lado, uma dependência desses dois mercados é arriscada. A diversificação é sempre recomendável pelos especialistas. 

Em tempos de pandemia, uma postura é ratificada e o governo brasileiro, por meio do Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa), tem buscado isso. Um exemplo é a reabertura do mercado para os Estados Unidos, acordos Mercosul - União Europeia e novos mercados, como Indonésia e Tailândia. 

Os pesquisadores da CiCarne Embrapa apresentam o cenário das exportações para o país asiático, que exige atenção e traz otimismo.

Nos últimos seis anos, a proporção do volume exportado de carne bovina pelo Brasil para a China e Hong Kong cresceu consideravelmente, passando de 20,5% em 2014 para 63,4% neste ano. Um crescimento médio na representatividade de 7,15% ao ano no período. Em 2014, o volume exportado para Hong Kong representava praticamente todo o percentual, sendo que isso se reverteu em 2018, quando a parcela da China o superou.

Em 2019, quando 52,35% do total exportado pelo Brasil foi para as duas regiões, o volume foi de US$ 3,42 bilhões (US$ 2,68 bilhões para a China e US$ 741 milhões para Hong Kong) contra US$ 3,12 bilhões de todos os outros países importadores somados. Em 2020, embora os dados sejam parciais, até o mês de maio, pode-se observar que a tendência de alta permanece, liderada principalmente pela China, com um volume de US$ 1,47 bilhões exportados, seguida por Hong Kong, com US$ 316 milhões, enquanto para todos os outros países importadores o volume foi de US$ 1,03 bilhões. 

Esse aumento do volume e da parcela de exportações destinados à China e a Hong Kong trazem otimismo à cadeia produtiva da carne bovina em uma época de apreensão em relação aos impactos econômicos da pandemia na capacidade de consumo da população brasileira e dos principais países importadores. Entretanto, essa grande dependência de apenas dois compradores é preocupante. Caso ocorra algum problema de ordem sanitária, econômica ou política, o Brasil sofrerá uma drástica diminuição em suas exportações de carne bovina e a busca pela diversificação de mercados é recomendável.

Nos últimos anos, se observa que esse é um dos objetivos perseguidos pelo governo brasileiro, visível com a reabertura do mercado para os EUA, o acordo do Mercosul com a União Europeia e a abertura de novos mercados, com Indonésia e Tailândia, bem como ampliação de plantas credenciadas a exportar, como no caso do Egito. O fortalecimento do sistema de inspeção sanitária na indústria é igualmente estratégico, pois cada vez mais surgirão barreiras comerciais a ele associadas.

Em relação aos impactos da pandemia, do total de 37 frigoríficos brasileiros que eram habilitados a exportar carne bovina para a China, dois foram suspensos no mês de junho deste ano (ambos no Estado de Mato Grosso). As 35 plantas frigoríficas habilitadas a exportar para a China estão em São Paulo (9), Mato Grosso (6), Pará (4), Minas Gerais (4), Mato Grosso do Sul (3), Goiás (3), Rio Grande do Sul (3), Tocantins (2) e Rondônia (1).

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) busca as razões da suspensão desses frigoríficos junto à GACC (General Administration of Customs People’s Republic of China), órgão do governo chinês responsável pela habilitação de estabelecimentos exportadores. O Mapa também iniciou negociações para que as plantas possam retornar as exportações para a China. Prevendo eventuais problemas, o Brasil possui um regramento para prevenção, controle e mitigação de riscos de transmissão do novo coronavírus nas atividades da indústria de abate e processamento de carnes e derivados, a Portaria Conjunta n. 19, de 18/06/2020 – ME/MAPA/MS, com versão em mandarim entregue às autoridades sanitárias chinesas.

Ainda que não se tenha pesquisas comprovando a transmissão do vírus por alimentos, Pequim pediu que os diferentes governos suspendam a exportação “de produtos alimentícios cujos estabelecimentos produtores tenham identificado funcionários infectados com a covid-19, em situação que crie risco de contaminação dos alimentos”, segundo mensagem enviada pelo embaixador do Brasil na China.

Embora o Brasil sofra essas restrições, é importante destacar que países concorrentes também sofreram suspensões de plantas para exportação à China, a exemplo dos EUA, Argentina, Austrália e Irlanda.

 

fonte: Embrapa

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