Conheça o legado deixado por Herbert Bartz, 'pai' do plantio direto no Brasil
23.02.2021

O produtor foi a primeira pessoa a usar a técnica no país. A metodologia permite a semeadura no solo, sem aragem e a partir da rotação de culturas, restabelecendo a biodiversidade da terra.

O agro perdeu em janeiro o precursor do plantio direto no Brasil, técnica que revolucionou a agricultura brasileira e foi fundamental para o crescimento do país na área. Herbert Bartz morreu aos 83 anos devido a complicações de uma pneumonia.

Descrito pela filha Marie como um homem de personalidade forte, teimoso e um ótimo contador de histórias, Bartz trouxe, dos Estados Unidos, na década de 70, a técnica de plantio que usa a rotação de culturas, a implementou em sua fazenda e depois viajou o Brasil a ensinando a outros agricultores.

O que é plantio direto?

Em 2017, mais de 40 anos depois de sua chegada, o método, que em 1972 foi utilizado apenas em 180 hectares de Bartz, alcançou os 33 milhões em todo o país.

Isso representa 69,1% da áreas plantada do Brasil, de acordo com a pesquisa "Soil & Tillage" ("Soja e Cultivo" em tradução livre) da Elsevier, empresa de informações analíticas. Ainda segundo o relatório, os estados de Mato Grosso e do Paraná são os que mais a utilizam, chegando a 86.6% e 81.9% respectivamente.

O plantio direto é considerado revolucionário, pois permite que o agricultor deixe de arar a terra, acabando com a sua erosão, além de tornar possível a produção de mais de uma cultura na mesma área, explica o pesquisador da unidade de soja da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Soja), Henrique Debiasi.

“É preciso utilizar um sistema de rotação de cultura, um sistema diversificado de produção, para gerar bastante palha e raiz para ativar o solo biologicamente e produzir cobertura”.

Segundo o pesquisador, a técnica é usada principalmente para a produção de grãos, como a soja e o milho, porém já existem algumas iniciativas com outras culturas, como a cana e o algodão. Debiasi comenta que o plantio direto ajuda os agricultores a aumentarem a sua eficiência. Estima-se que produtividade da soja pode crescer de 30% a 40% com este método. Além disso, a terra é útil durante todo o ano por causa da rotação de culturas.

Outra vantagem desse sistema é que a água fica mais retida no solo, então, mesmo em períodos de seca, a plantação pode sobreviver. Com isso, o meio ambiente também lucra.

“O primeiro grande benefício é a diminuição na perda de água, solo, nutrientes e, inclusive, algumas moléculas de agrotóxicos pela água que escoava no solo, diminuindo a poluição dos rios, por causa da questão do assoreamento", explica o pesquisador da Embrapa Soja.

Assoreamento é o processo em que o leito de um rio se eleva devido ao cúmulo de sedimentos levados à água por causa das chuvas.

O plantio direto também ajuda a mitigar os gases do efeito estufa, diminuindo as emissões de óxido nitroso, composto químico presente, principalmente, em fertilizantes e causador de impactos negativos na camada de ozônio.

Além disso, segundo Debiasi, a terra serve como um "sequestrador" de carbono, mantendo-o preso ao solo.

A questão ambiental era uma preocupação de Herbert Bartz, como lembra sua filha Marie:

“Uma coisa que meu pai falava muito: ‘A natureza não aceita propina’. Então, não adianta a gente enganar, dar aquele jeitinho. Se a gente não fizer direito a conta vai chegar em algum momento”.

Como tudo começou

Segundo o autor do livro “Brasil possível: a biografia de Herbert Bartz”, Wilhan Santin, para entender como Bartz trouxe o plantio direto ao Brasil, é preciso conhecer a sua trajetória.

Nascido em 1937 na cidade de Rio do Sul, em Santa Catarina, o agricultor se mudou para a Alemanha aos 2 anos de idade. Uma viagem que a principio seria rápida, apenas para um tratamento cardiológico de sua mãe, Johanna, se estendeu por anos devido ao início da 2° Guerra Mundial em 1939.

Durante a guerra, o produtor teve que conviver com a fome, a violência e os bombardeios. Antes do fim dela, seu pai foi convocado para as tropas alemãs, chegando a ser sequestrado pelo Exército Vermelho, como era conhecida a tropa russa, e ficando desaparecido por dois anos.

Depois do fim da guerra, em 1945, a família ainda continuou por um tempo na Alemanha e, incentivado pela mãe, o Bartz se dedicou aos estudos e colocou a mochila nas costas para conhecer o mundo.

O retorno ao Brasil aconteceu apenas em 1960, quando o agricultor, já com 23 anos, junto de seu pai e seus irmãos, foi morar em Rolândia, no Paraná. Na época, sua mãe já havia falecido.

Segundo Santin, o biografo do produtor rural, a cidade era um polo de recepção de alemães que vinham para o Brasil. Assim, mesmo sem nenhum elo com a agricultura, a família teve que aprender na prática a trabalhar com plantações.

A família Bartz comprou, então, uma fazenda de café, que devido às dificuldades do plantio, acabou sendo trocado pela soja, que também não foi fácil: "A chuva, além de levar a semente, o adubo, tudo o que você tinha plantado, levava o solo. O Paraná perdia milhões de toneladas de solo àquela época”, conta Santin.

A última gota d'água

Em uma dessas noites de chuva, Bartz foi olhar a sua plantação. Chegando lá, ele assistiu a uma tromba d’água levar todo o seu cultivo embora. Esta imagem o fez acreditar que, se não encontrasse uma solução para este problema, em 10 ou 20 anos ele não teria mais solo para plantar, explica Santin.

Então ele começou a fazer contato com Rolf Derpsch. O agrônomo chileno e também filho de alemães tinha as mesmas angústias do produtor. A partir de conversas entre os dois, o agricultor descobriu que em outros países havia pesquisas sobre plantar em cima da palhada (palha de milho) e resolveu viajar para entendê-las.

Em 1971, o revolucionário foi para a universidade de Kentuck, nos Estados Unidos, onde conheceu Shirley Philips e Harry Young Jr., pesquisadores que já trabalhavam com plantio direto na palha. Após aprender a técnica com eles, Herbert encomendou as ferramentas necessárias para trazer o método ao Brasil.

Clique na foto e confira a entrevista do pai do Plantio Direto, no programa Conexão Rural Germipasto

 

Fonte: G1

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